Brasília, 26 de agosto de 2007.
Bom dia! Convido a comunidade para ouvir
em pé o texto bíblico deste domingo, indicado
para a Festa da Colheita e Culto de Ação de
Graças.
Leitura de 1 Coríntios 3.1-9.
Permaneçam em
pé. Por curiosidade, gostaria que sentassem
somente aquelas pessoas que já residiam em
Brasília quando o P. Ernesto Schliepper (1968)
aqui estava. Agora, P. Ingo Wulfhorst (1977),
P. Johannes Schlupp (1981), P. Walter Dörr
(1982), P. Renato Kühne (1990), P. Leonhard
Creutzberg (1998) e, por fim, P. Carlos Möller
(1999). Além desses citados, passaram por
Brasília, nesses 38 anos de comunidade, outros
pastores visitantes, voluntários e específicos,
além de diáconos, catequistas e estagiários.
Agora, a comunidade de Brasília é fruto de
quem? Qual foi o melhor pastor? Por qual deles
você sentiu ou sente maior afetividade? Existe
pastor melhor ou obreiro melhor? A situação
atual da Comunidade de Brasília é fruto de
quem?
Essa é a questão que está por trás do nosso
texto. Especificamente em Corinto, são citados
dois nomes: Paulo e Apolo. Quem foram eles?
Ambos eram judeus convertidos à fé cristã.
Eram fervorosos e bons pregadores, profundos
conhecedores das Escrituras. Paulo chegou
à fé através de uma experiência pessoal com
Jesus Cristo. Apolo conheceu o Evangelho pelo
testemunho do casal Áqüila e Priscila. Paulo
estruturou a Comunidade de Corinto a partir
da sinagoga judaica. Apolo ficou ali por algum
tempo pregando o Evangelho. Em Corinto criaram-se
dois partidos: Paulo e Apolo. Provavelmente,
nenhum dos dois gostava muito dessa idéia.
Paulo, que tinha por hábito manter contato
com as comunidades por ele criadas, escreve
aos cristãos de Corinto, chamando-lhes a atenção.
O que Paulo ensina?
Primeira lição. O v.9 tem uma tríplice afirmação:
Somos cooperadores de Deus. Somos sua lavoura.
Somos seu edifício. Você e eu, pastor e membro
da comunidade, somos chamados de “cooperadores”.
Trabalhamos juntos com Deus no estabelecimento
de seu Reino. Não que Deus precise de nós.
Afinal, Ele é Todo-Poderoso. Mas, Ele nos
convoca como seus servos, diria até parceiros.
Repare como o apóstolo Paulo abre o leque.
A comunidade de Corinto é o que é por causa
dele mesmo. Ele a estabeleceu (plantou). Apolo
também foi de muita importância, alimentando
a turma (regou). Todavia, cada qual, cada
membro, integrante, participante também tinha
sua importância. Esse texto lembra a figura
que aparece mais adiante no capítulo 12: O
corpo e seus membros. O bem estar do corpo
depende do desempenho particular de cada membro.
Para que algo seja feito no mundo, na igreja,
na sociedade, cada membro precisa fazer a
sua parte.
Reflita agora, meu amigo/minha amiga, em
sua situação dentro da Comunidade de Brasília
ou no meio onde você vive, seja família, trabalho,
escola e sociedade. Não são somente os obreiros,
não é somente o Presbitério e líderes de setores
que fazem a Comunidade ou que levam a mensagem
de Cristo ao mundo, cada um de nós é importante,
por isso é que Paulo nos chama de “cooperadores”.
Deus te ama. Ele te capacita. Ele te escolhe
para sua obra.
Segunda lição. Também, o v.9 diz que somos
“lavoura de Deus”. Externamente coopero com
Deus. Agora, interiormente é Deus quem opera
em
mim. Ele escolheu e prepara o meu coração.
Ele semeia sua Palavra em minha vida. Só consigo
fazer algo produtivo a partir do momento em que Deus age em minha vida. Quando deixo
o Senhor trabalhar meus sentimento e pensamentos,
sou transformado e me torno um instrumento
eficaz em suas mãos. Cada um de nós é diferente
do outro. Temos nosso próprio jeito e capacidades.
A riqueza da Comunidade de Brasília está na
união das diferentes vertentes num projeto
único que é divulgar o nome de Jesus. Para
que isso aconteça é necessário aproximação.
Na minha vida pessoal preciso dizer: Senhor!
Eu quero te conhecer. Eu quero caminhar contigo.
Tal decisão se reflete na minha vida comunitária.
Eu não acredito em cristão que vive sua fé
de forma isolada. Também não acredito naquilo
que está sendo cada vez mais comum: O cristão
que quer manter acesa a chama de sua fé através
do programas religiosos televisivos. Tem muitas
opções, mas não é saudável. Melhor é viver
em comunidade, é se incomodar e se alegrar
com o irmão, é sorrir e chorar lado-a-lado.
Reflita agora sobre sua situação dentro da
Comunidade. Temos aqui em Brasília uma grande
família luterana. Há oportunidade para festejar
como hoje. Há oportunidade para se viver em
pequenos grupos (Culto Infantil, Ensino Confirmatório,
Juventude Evangélica, OASE, Coral...). Há
oportunidade para aprender a Palavra em Estudo Bíblico. A grande questão
é: Estou aproveitando as oportunidades? Estou
dando espaço para a ação de Deus dentro da
comunhão?
Concluindo. O apóstolo Paulo questiona aos
coríntios, chamando-os de imaturos, carnais,
humanos... São eles, somos nós, você e eu.
Por vezes, nos detemos em situações e pessoas
específicas e acabamos esquecendo o todo.
Posso e devo ter minhas opiniões. Mas, se
tal opinião é fruto do ciúme e causa divisão,
preciso abrir o olho. A Comunidade é composta
por pessoas, mas é maior do que elas. Deus,
por meio de Jesus, quer o crescimento. Cabe-nos
colocar humildemente debaixo do seu poder
dizendo: Estou aqui, Senhor! Dispõe de mim
nessa comunidade e na sociedade onde estou
inserido. Amém!
P. Euclécio Schieck