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Pregação do Culto do dia 15 de setembro, em Sobradinho

Sobradinho, 15 de setembro de 2007.

Tema: Fé, gratidão e compromisso.

Querida Comunidade! A história dos irmãos Caim e Abel é uma das mais conhecidas da Bíblia. Ela se encontra em Gênesis 4.1-7. Quero aproveitar este momento de pregação para rever algumas antigas lições.

A primeira lição vem de Eva.  Ela reconhecia sua dependência de Deus e era grata a Ele por suas dádivas.  Quando nasceu Caim, ela afirma categoricamente que teve um filho com “a ajuda de Deus”. Será que, em momentos de intensa alegria, como, por exemplo, no nascimento de um filho, ou aquisição de um bem, ou mudança de casa, emprego, ou também no dia-a-dia, reconheço a proximidade de Deus e sua bondade? Muitas vezes nossa vida se torna uma constante correria, e sequer paramos para dizer: “Obrigado, Senhor, pela tua ajuda!”

A segunda lição vem do ofício dos dois meninos. Caim vivia da lavoura, enquanto Abel cuidava da criação de animais. Nem um, nem outro era melhor ou mais importante. Em nossa sociedade atual existem também diversos talentos e funções. Todos precisam ser valorizados. Num restaurante elogiamos o cozinheiro pelo prato saboroso que está diante de nós. Igualmente deveríamos elogiar a faxineira pela limpeza do ambiente. Aos olhos de Adão e Eva, aos olhos do Senhor, os dois meninos eram valiosos e traziam seus benefícios à sociedade.

Podemos aprender uma terceira lição com a oferta dos irmãos. O culto na época era diferente da atualidade. Hoje vamos à igreja. Em comunhão, ouvimos a Palavra, cantamos, oramos, colocamos nossa oferta no cestinho. Com Caim e Abel era diferente. Em meio à natureza era construído um altar de pedras. Ali eram colocadas as ofertas, às vezes sobre o fogo, outras para que o tempo e os animais do campo consumissem.

Caim e Abel eram pessoas religiosas. Cumpriam os ritos de seu culto. Lembravam que sua produção e abundância era bênção de Deus. Por isso, sobre o altar depositavam o fruto do seu trabalho. Assim também foi nesse novo ano. Porém, havia uma diferença na oferta dos irmãos.

A Bíblia diz que Caim simplesmente trouxe sua oferta, cumprindo o rito. Por outro lado, Abel trouxe o “melhor” de sua produção. Deus reconheceu as ofertas, todavia alegrou-se mais com a oferta de Abel. Por quê? Caim cumpria somente a religião. Foi uma atitude mecânica. Já a oferta de Abel foi sentimental, feita “de coração”. Isso me faz refletir sobre minha vida e participação na comunidade. Por vezes, freqüento o templo e até trago minha contribuição. Mas, será que não é apenas tradição e obrigação? Convém assumir que a IECLB sobrevive por causa desse tipo de oferta. Agora, preciso me perguntar, será que Deus se contenta com isso?

Deus se alegra quando nossa participação e nossa contribuição, seja física, seja monetária, vem do “coração” e não apenas da tradição e obrigação. Há crescimento em minha vida espiritual quando passo da obrigação religiosa para a doação com alegria. Deus é que mantém minha vida, me dá força e criatividade para o trabalho. Abel foi exemplar. Ele reconhecia a presença de Deus, por isso trouxe como oferta o melhor de seu rebanho.

O texto possibilita ainda outras lições. Caim ficou chateado quando notou que a oferta do irmão agradou mais a Deus. O que lhe trouxe tal compreensão? Eu acredito que o que falou alto com ele foi sua consciência. Quando faço algo bem feito, tenho a consciência tranqüila, agora quando minhas atitudes deixam dúvidas, a consciência apita. Abel estava em paz. Continuou cuidando dos seus rebanhos, percebendo a presença e ação constantes de Deus. Caim, por sua vez, ia à roça, mas não tinha paz. Faltava algo... Acabou ficando aborrecido com a vida. Quem sabe as coisas não davam tão certo... Quem é o culpado? Eu já tive esse sentimento. Tentei culpar a Deus, aos outros... Contudo, fugia de minha responsabilidade pela situação. Sou inocente! A melhor atitude de Caim seria assumir: 'Errei, Senhor! Mas, quero melhorar'.  Mesmo assim, Deus veio ao seu encontro. O Senhor trouxe-lhe uma palavra que apontava ao pecado e buscava a reconciliação. Mas, eis que Caim tem seu coração endurecido. O que prevalecia era o seu ponto de vista.

Agora, uma última lição. Quando o pecado não é assumido, quando não há reconciliação, o afastamento de Deus é maior e as conseqüências também. Como Caim não conseguia atingir Deus com sua revolta, ela foi direcionada sobre o irmão, que era inocente. Caim acabou matando seu próprio irmão. Por isso, cuidado! Toda revolta contra Deus traz conseqüência às pessoas que nos cercam. Quando eu ando com Jesus promovo salvação e vida. Quando eu ando longe de Deus, posso me tornar um instrumento de destruição e morte.

Resumindo, a história de Caim e Abel é um desafio para que cada um caminhe na presença de Deus, reconhecendo suas bênçãos, colocando-se como pessoa com seus bens à disposição d’Ele como servos. A felicidade é possível quando andamos com Jesus. Amém!

 

P. Euclécio Schieck

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