Brasília, 25
de novembro de 2007.
Dentro
do Calendário Litúrgico da Igreja Cristã hoje é o
último domingo do ano, onde lembramos que Jesus Cristo
é Rei e Senhor sobre tudo, sobre todos, também sobre
a “morte”. No próximo culto já entramos no Advento.
Agora, porque fechar o ano com essa verdade? “Cristo
Rei”! Diz Paulo em Fp 2.9-10: Deus o exaltou, para
que ao nome de Jesus se dobre todo joelho. Ou seja,
no fim, no fim, todos reconhecerão o senhorio de Jesus
Cristo. Algo que, conosco, pode começar já aqui nessa
vida. Quanto antes reconheço, melhor, pois a mim é
dada a certeza da salvação, segundo escreve Paulo
em Rm 10.9: Se com tua boca confessares a Jesus como
Senhor, serás salvo. Agora não é fácil colocar a vida
sob o senhorio de Jesus. Uma razão é pelo fato de
que Jesus é um Rei diferente dos padrões humanos.
É divino. Vejam, por exemplo, o texto bíblico indicado
para esse domingo em Lc 23.35-43:
"O
povo ficou ali olhando, e os líderes judeus zombavam
de Jesus, dizendo: Ele salvou os outros. Que salve
a si mesmo, se é, de fato, o Messias que Deus escolheu!
Os soldados também zombavam de Jesus. Chegavam perto
dele e lhe ofereciam vinho barato e diziam: Se você
é o rei dos judeus, salve a você mesmo! Na cruz, acima
da sua cabeça, estavam escritas as seguintes palavras:
"Este é o Rei dos Judeus". Um dos criminosos
que estavam crucificados ali insultava Jesus, dizendo:
Você não é o Messias? Então salve a você mesmo e a
nós também! Porém o outro o repreendeu, dizendo: Você
não teme a Deus? Você está debaixo da mesma condenação
que ele recebeu. A nossa condenação é justa, e por
isso estamos recebendo o castigo que nós merecemos
por causa das coisas que fizemos; mas ele não fez
nada de mau. Então disse: Jesus, lembre de mim quando
o senhor vier como Rei! Jesus respondeu: Eu afirmo
a você que isto é verdade: Hoje você estará comigo
no paraíso."
Existe
uma mentira que no fundo é uma verdade. Na cruz de
Jesus foi fincada uma placa com os dizeres INRI: Jesus
de Nazaré é o Rei dos Judeus! Jesus foi condenado
por crime político. Os judeus fizeram com que os romanos
acreditassem que Jesus era um revolucionário pronto
para atacar o poder romano, colocando-se como novo
rei: “Rei dos Judeus”. Por isso, Jesus foi crucificado
e não apedrejado, como era costume dos judeus quando
alguém blasfemava. Longe de ser isso uma verdade.
Primeiro, Jesus queria ser e é Rei, mas de forma diferente
daquela que entendiam os homens à sua volta. Ele não
queria domínio político, mas queria e quer ser coroado
no coração das pessoas: Um rei espiritual. Ou seja,
ele quer que as pessoas lhe sejam submissas, vivendo
na perspectiva, já agora, de um novo reino: Reino
de Deus! Segundo, Jesus não luta para ser apenas “Rei
dos Judeus”, mas de toda humanidade. “Todo” joelho
há de se dobrar diante dele. Ou seja, além de ser
mal interpretado, foi interpretado de forma limitada.
Agora,
como reagiram as pessoas diante da cruz, diante do
Rei Crucificado. Lembrem-se sempre que sob a cabeça
de Cristo havia uma coroa que ninguém queria usar,
uma coroa de espinhos. O vv.35-36 dizem que o povo
observava. Dizem também que as autoridades e os soldados
zombavam. Ou seja, os poderes instituídos julgavam
ter alcançado a vitória ao levarem Jesus à cruz. Decerto
pensaram os romanos e os fariseus: Agora chegou ao
fim a saga desse “salvadorzinho” do povo. Mas, o povo
“observava”. A história não terminou ali na cruz.
Os fatos decorrentes mostram tal verdade. Jesus ressuscitou.
Ele venceu o pior inimigo: a morte.
Agora,
do genérico, somos levados ao específico. Ter uma
religião é quase um costume, mas viver a fé é bem
diferente. Ver de longe a crucificação é uma coisa.
Enfrentar a cruz e carregá-la é bem outra. Saber da
morte é diferente de ter que enfrentá-la. Diante da
morte, da crise, da dor, somos desafiados a descobrir
quem é que manda em minha vida, a quem eu a entrego.
Se quero controlar por mim mesmo ou digo: Estou aqui,
faça-se a tua vontade, meu Rei e Senhor!
Havia
dois criminosos pendurados junto a Jesus na cruz.
Ninguém negava: Os dois eram de fato “malfeitores”.
Jesus, todavia, era um “benfeitor”. Ele ajudou o povo.
Ele curou doenças. Ele trouxe palavras retas de sabedoria.
Ele apontava o caminho para Deus, mas estava ali na
cruz. Qual foi o comportamento desses dois criminosos
diante do justo Jesus?
Um
criminoso foi no embalo das autoridades: Você não
é o escolhido de Deus? Salta daí e me tira da cruz
também. Além de provocar Jesus, queria apenas ter
benefício próprio. Na hora do aperto, estava preocupado
apenas em salvar a sua pele. Ele não crê em
Jesus. Ele não reconhece seu pecado. Ele está à beira
da morte, mas não assume seu erro e sua ignorância.
Jesus permanece calado.
O
outro criminoso condena a atitude de seu comparsa.
Ele reconhece que a morte é certa. Ali estão. Ali
vão morrer. Ele reconhece igualmente que esse era
o preço da desobediência a Deus e às leis humanas.
Noutras palavras, ele diz: Sou criminoso e pago o
preço por isso. Mas, eis que vem uma profissão de
fé: Jesus! Você é justo. Não tem erro! E, um pedido:
Em teu amor, lembra-te de mim!
O
primeiro negou e ridicularizou. O segundo reconheceu
e aceitou a Jesus. Esse criminoso recebeu a promessa
de salvação: Ainda hoje você estará comigo no paraíso.
O
povo observava. Você e eu observamos os fatos. Nós
somos colocados diante de duas opções. Rejeitar ou
crer no Rei Crucificado. O caminho de rebeldia leva
à morte, aqui e eterna. O caminho da fé em Jesus leva
a enfrentar a morte aqui, trazendo sinais de vida.
Leva à certeza da salvação eterna, proposta por Jesus.
Meu amigo, hoje tens a escolha, vida ou morte, qual
vais aceitar? Amém!
P.
Euclécio Schieck |