Brasília, 12 de agosto de 2007.
Uma pequena ilustração... e
possíveis lições...
Os pais foram
convidados a vir a escola para dialogar sobre
seus filhos. Certo pai explicou, com seu jeito
humilde, que ele, devido à sua profissão (era
representante comercial) não tinha muito tempo
para falar com o filho, nem vê-lo,
durante a semana. Saía para trabalhar muito
cedo, quando seu filho ainda estava dormindo.
Ao retornar do serviço, já era muito tarde.
E, o garoto não estava mais acordado. Explicou,
ainda, que não havia jeito... Ele tinha de
trabalhar para prover o sustento da família.
Mas, contou também que isso o deixava angustiado.
Por não ter tempo para o filho, tentava se
redimir indo beijá-lo todas as noites ao chegar
em casa. E, para que o filho soubesse da sua
presença, dava um nó na ponta do lençol que
o cobria. Isso acontecia todas as noites
quando ia beijá-lo. Quando o filho acordava,
vendo o nó, sabia, então, que o pai tinha
estado ali e o havia beijado. O nó era
o meio de comunicação entre eles. A diretora
da escola ficou surpresa e emocionada
quando constatou que o filho desse pai era
um dos “melhores” alunos da escola.
Tal fato nos
faz refletir sobre as muitas maneiras das
pessoas se fazerem presentes, de se comunicarem
com os outros. Aquele pai encontrou a
sua, que era simples e eficiente. E,
o mais importante é que o filho percebia,
através do “nó afetivo”, o que o pai estava
lhe dizendo. Por vezes, nos importamos tanto
com a forma de dizer as coisas e esquecemos
o principal, que é a comunicação através do
sentimento. Simples gestos como um beijo e
um nó na ponta do lençol, valiam, para aquele
filho, muito mais que presentes ou desculpas
vazias. É válido que nos preocupemos
com as pessoas, mas é mais importante que
elas saibam, que elas sintam isso. Para que
haja a comunicação é preciso que as pessoas
"ouçam" a linguagem do nosso coração,
pois, em matéria de afeto, os sentimentos
sempre falam mais alto que as palavras.
É por essa razão que um beijo, revestido do
mais puro afeto, cura a dor de cabeça,
o arranhão no joelho, o medo do escuro. Enfim,
as pessoas podem não entender o significado
de muitas palavras, mas sabem registrar um
gesto de amor. Mesmo que esse gesto seja apenas
um nó. Um nó cheio de afeto e carinho.
A primeira lição
deixo aos pais. Vivemos num mundo extremamente
agitado. É trabalho, estudo... São muitos
compromissos. O mundo nos envolve com seus
afazeres. A igreja pode acelerar essa correria.
É algo semelhante à parábola do semeador no
que se refere à sementinha que caiu em meio
aos espinhos. Ela foi sufocada, perdendo a
sua força. Facilmente isso pode acontecer
conosco. Perdemos a clareza sobre a importância
das coisas. Tudo é importante, mas existem
diferentes escalas de valores, diferentes
prioridades. A família sempre deve ocupar
o segundo lugar. O lugar mais alto cabe ao
nosso Deus. Na parábola a semente é a Palavra
de Deus. A minha história apresenta como semente
sufocada o amor. Quando deixamos de amar a
Deus acima de tudo, quando deixamos de amar
aos nossos queridos, podemos estar entronizando
nosso trabalho, ou nossos bens, ou até mesmo
podemos nos tornar pessoas egoístas, cujo
centro é a nossa própria pessoa. A velha história
do... Eu sou o bom! Por isso, mesmo em meio
à correria, não se esqueça do Senhor Deus
e de sua família. Pequenos gestos para com
a esposa (o) e filhos são necessários e trazem
um bom tempero à vida. Por isso, seja criativo
e invente seus “nós afetivos”.
A segunda lição
deixo aos filhos. A vida dos filhos hoje está
tão agitada quanto à dos pais. Por vezes,
o filho se fecha em seu espaço, tornando-se
cego com respeito a Deus e aos seus familiares.
Cria um mundinho próprio, deixando de perceber
os pequenos fatos familiares que acontecem
à sua volta, os quais por vezes são carregados
de afetividade. Devo dizer que não existe
família perfeita, mas também nenhuma família
é um inferno. Aos filhos que não enxergam
as pequenas atitudes amorosas que perpassam
o ambiente familiar, indico como caminho ir
ao encontro de Jesus, como aconteceu com Bartimeu,
dizendo: Jesus! Eu quero tornar a ver. Deus
tem a capacidade de curar nossa cegueira espiritual.
Ele é a luz.
A terceira lição
deixo à comunidade como um todo. Dou um passo
adiante, passando a falar de nossa família
maior na fé. Todos nós temos um único Deus,
que é Pai. Por vezes me vejo na situação de
chefe querendo determinar o que Deus deve
ou não fazer. Faço de Deus um empregado e
quero que tudo aconteça segundo minha vontade.
O que difere do Pai Nosso, onde Jesus ensina:
Seja feita a tua vontade... Esperamos grandes
milagres. Esperamos que todos os nossos pedidos
sejam atendidos. Na verdade, se pararmos e
observamos com atenção o mundo que nos cerca,
veremos “muitos pequenos nós afetivos” que
Deus prepara por nós. São bênçãos diárias
e cotidianas que escapam de nossos olhos.
Os judeus esperavam e esperam um “grande messias”.
Jesus (só para lembrar minha primeira pregação)
veio montado num jumentinho. O profeta Elias
esperava revelação no fogo e terremoto, Deus
apareceu na leve brisa. É lindo. Ver a Deus
nas pequenas coisas é um exercício diário.
Deus se revela e quer se revelar. Deus quer
colocar em nosso coração um espírito de gratidão.
Por isso, aprenda a parar e observar. Aprenda
a dizer: Eu quero ver! Aprenda a agradecer.
Por fim, vale
dizer que, na história, a professora constatou
que o menino que recebia o “nó afetivo” de
seu pai destacava-se dos demais. Ele tinha
maior capacidade para aprender e conviver.
Se você viver na presença de Deus, você será
uma pessoa melhor e mais útil à sociedade.
Cristão e bom cidadão! Que Deus te abençoe.
Amém!
P. Euclécio
Schieck