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Pregação do Culto do Dia 04 de novembro

 

FINADOS

Prezada Comunidade/ Prezados Amigos!

Algum tempo atrás li um artigo que me chamou a atenção. Quem escreveu o texto foi um jornalista da RBS chamado Luís Carlos Prates. Não o conheço pessoalmente. Não sei qual é a sua religião ou o que pensa a respeito de Jesus.

Quero refletir pastoralmente com vocês o que ele escreveu a partir da seguinte pergunta: Se sua morte estivesse bem próxima, seu modo de viver iria mudar?

É uma situação inquietante. Tome como exemplo: O sujeito vai ao médico para fazer uma faz a consulta, examina, manda fazer alguns exames e me diz: Olha, você tem um tumor e vai viver pouco tempo. Será que nos próximos dias e meses tal pessoa continuaria a viver do mesmo jeito? Coloque-se no lugar dela.

Na verdade, ninguém sabe ao certo quanto de vida ainda lhe resta. Morrem crianças recém nascidas, jovens, adultos, idosos, pobres e ricos, negros e brancos, católicos, luteranos e ateus. Aliás, é certo que quem nasce também vai morrer. Você já pensou nisso?

Credo, pastor! Pare de falar nessas coisas!

Na verdade, raros são aqueles que sabem, mais ou menos, quanto de vida ainda lhes resta. Mas, se isso acontecesse conosco será que mudaríamos o nosso jeito de viver? O que faríamos?

Sim, eu mudaria de vida! Eu não poderia continuar vivendo da mesma maneira!

Desconfio que seria a resposta de muitos. “Eu quero mudar!”

Se assim for é porque nós estamos vivendo de maneira errada. Andamos fazendo coisas desagradáveis. Mudanças simples como, quem sabe, deixar de acordar cedo para estudar ou enfrentar uma longa jornada de trabalho. Quem sabe, deixar de ser tão exigente com a família e amigos. Ou parar de brigar e incomodar os vizinhos por qualquer coisa. Ou, quem sabe ainda, avaliando a vida, vamos descobrir que usamos nosso tempo em coisas pouco proveitosas: TV, futilidades para fugir dos compromissos, para desviar do trabalho, ou para falar mal da vida alheia...

Quem sabe, indo um pouco mais longe, avaliando nossa vida, vamos descobrir que até aqui só esperamos ser reconhecidos pelos outros. Tudo o que fizemos em nossa vida foi somente para ter o reconhecimento alheio. Afinal, sou do tipo de pessoa que estufo meu peito quando alguém me reconhece. Pois, a vida não tem sentido quando faço coisas sem que os outros me percebam. Você consegue se enxergar dentro desses exemplos? Parece que estamos perdendo nosso tempo precioso. Queremos mudar de vida!

Mais cedo, ou mais tarde todos param para pensar na vida. A vida é sempre a mesma rotina, aquele lenga-lenga, prá lá e pra cá. Eu mesmo, volta e meia, paro para pensar. Será que vale a pena ser pastor? Viver longe dos pais? Agora mais longe ainda. Vale a pena correr atrás das pessoas, mexendo, provocando, incentivando? Vi aquela estrutura metálica no PADEF, um galpão pré-montado que pode se tornar um templo. Vamos construir. O mesmo vale para o salão de eventos aqui no Plano Piloto. Será que não existe algo melhor para fazer? Pense agora você: Vale a pena trabalhar? Cuidar da casa? Estudar? Vale a pena participar de nossa comunidade?

Temos uma vida muito curta: 50, 60, 70, 80 anos, que sabe um pouco mais. É vapt-vupt.

Estamos quase no final de 2007. O que aconteceu nesse ano? Houve alguma mudança significativa?

Muitas vezes, levamos uma vida egoísta, pensando somente na gente. Esquecemos o próximo. Esquecemos de Deus. Vamos recordar o passado aqui de nossa capital. Os mais antigos lembram como era Brasília em seus primórdios e como é hoje? Muita coisa melhorou. Outras tantas se perderam. Exemplos: A correria tirou o tempo de convivência. O trânsito ficou caótico. A violência bate à nossa porta. A natureza foi castigada. Muito foi destruído pensando no progresso. Muitos pensaram em riquezas e não em qualidade de vida. Queriam fazer, construir e crescer. A natureza se danou. Agora, pense comigo: Que tipo de mundo meus netos ou as crianças da Escola Dominical verão? Que água vão beber? O mesmo vale para muitos momentos da vida.

Aqueles que têm algum vício relacionado à comida ou bebida já pensou que sua vida pode ficar limitada a uma cama ou presa num tubo de oxigênio. Aquele que se mata trabalhando e não tem tempo para Deus e para a família já pensou como será quando os filhos brigarem por um pedaço maior da herança. Qual é o proveito? Qual é o lucro?

Precisamos parar de pensar só na gente. Precisamos parar de pensar só no dia de hoje. Vamos pensar no futuro, na família, em Deus.

Aqui é que está a chave da pergunta: Se sua morte estivesse próxima, seu estilo de vida iria mudar? Se pensar somente em mim mesmo, iria mudar. Quem sabe, para pior. Seria ainda mais egoísta.

Mas, na verdade, só vou aprender a dar valor à minha vida, quando pensar em Deus e nos outros.

O grande mandamento de Jesus foi, é e será: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento. Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.

DEUS/OUTRO/EU. Amar a Deus dá sentido para amar ao próximo, que dá sentido para amar a mim mesmo, que dá sentido à vida. O mundo seria muito melhor se não pensássemos somente em nós mesmos. É deixar de ser egoístas. É dedicar a Deus e ao próximo. Jesus deixou-nos exemplo.

A vida é curta. Se você lutar somente por ti mesmo, você perde a vida. Perde a eternidade, que é longa.

Concluído: Há duas possíveis respostas para a questão abordada no início, bem diferentes e até opostas. Diante da morte, devo ou não mudar minha vida? Devemos mudar! Precisamos mudar. Mas, não para pensarmos somente em nós mesmos, no nosso próprio prazer. Não para fugirmos das nossas obrigações. Precisamos mudar! Mais dedicação a Deus. Mais dedicação à família e ao próximo. Mais dedicação à comunidade e à sociedade.

Quem anda com Jesus aprende a dar valor à vida, pois aprende a amar como ele amou. Amém.

P. Euclécio Schieck

 

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