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Pregação do Culto do dia 17 de fevereiro - Reinício oficial das atividades da CECLB em 2008

Que a graça do Senhor Jesus, o amor de Deus Pai e a presença do Espírito Santo estejam com todos nós. Amém!

Queridos irmãos e irmãs em Nüremberg e aqui em Brasília,

o texto bíblico deste domingo encontra-se na carta aos Hebreus 11.8-10.

Hoje comemoramos o domingo da parceria e estamos reunidos em pensamentos e espírito aos nossos irmãos na Alemanha. Não é uma coisa maravilhosa? Pensando que além da distância podemos nos reunir para orar juntos, cantar juntos e louvar a Deus, cada um na sua língua. Esta parceria ganhou nova vida e novo significado com a visita de um grupo de pessoas desta comunidade à comunidade de Nürnberg no ano passado. Por isto, vale muito a pena lembrarmo-nos desta viagem e o que aconteceu. Já no ano passado, tivemos um encontro dos integrantes do grupo para ver todas as fotos que foram tiradas lá. Eu achei interessante ver fotos da igreja St. Johannis, a casa pastoral e o jardim de infância (ainda não havia visto antes). Mais impressionante ainda achei quando Gerlinda ou Eva começaram a explicar quem são as pessoas nas fotos: “olha, aqui é a Renate Scheunemann, que nos visitou em 2005; esta mulher é a Frau Babel, este homem é o Seu Herr Weiss, e aquela atrás a Lore Muller, a responsável pelo jardim de infância. De repente todos começaram a contar das experiências que tiveram: o culto em conjunto, a visita ao jardim de infância, os passeios que fizeram pela cidade e muito mais. Claro que falamos ainda sobre outras viagens: para os lugares onde Lutero atuou, para grandes cidades como Munique, Berlim ou Lübeck. Uns contaram de passeios até a França ou Áustria.

Após 2 horas e meia de viagem pelo passado, num ambiente agradável e divertido, o nosso presidente Ricardo disse cheio de saudades: “esta viagem foi boa demais!” “E esta noite também”, acrescentou o Dânton. “Foi bem melhor do que assistir televisão.” E Elke disse: “Agora tenho uma impressão bem simpática da comunidade St. Johannis.” E todos concordaram. – Demos uma olhada no álbum de fotos da viagem para Alemanha. Esta foi e sempre será uma experiência tocante...

O nosso texto bíblico nos concede também uma olhada num álbum de fotos: no álbum da família de Deus. Lá, no cap. 11 da carta aos Hebreus, encontramos pessoas que são exemplos da fé. Pessoas como Jacó ou Moisés, que pela fé tiveram experiências extraordinárias. Profetas como Samuel ou Daniel, que pela fé se tornaram pessoas corajosas e perseverantes.

Infelizmente, não temos fotos deles. Mas em nossa fantasia, na imaginação devemos ter imagens deles: de Enoque, que foi trasladado para não ver a morte, ou de Abel que, pela fé, ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, ou Noé que, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé, ou Isaque, que foi abençoado por Deus e assim abençoou os filhos seus. Pela fé, Moisés, sendo já adulto, recusou ser chamado filho da filha de Faraó. Ele escolheu antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de tempo ter o gozo do pecado. Pela fé, Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias. Assim o povo de Israel conseguiu conquistar Jericó. – Pessoas que confiaram em Deus. Pessoas que até hoje são exemplos da fé. Todos eles são importantes, pois todos têm algo em comum: sua vida foi marcada pela fé em Deus.

Mas o que é fé? O 1° versículo do cap. 11 diz: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. Porque por ela os antigos alcançaram testemunho. Pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente.”

Mais uma olhada no álbum da família de Deus nos mostra mais uma personalidade: Abraão, o grande patriarca. Na linha das imagens da fé, ele é uma das pessoas mais importantes. Ele é o homem que tem que tomar uma decisão difícil: “vai, sai da sua casa. uE vou fazer de ti uma grande nação. Eu vou te abençoar, e em ti serão abençoados todos os povos da terra.” Ouvindo essas promessas, Abraão se levanta e vai.

Abraão e Sara deixam a sua vida e tudo que era conhecido. O motivo não era uma catástrofe, nenhum sofrimento ou tribulação, como no caso dos alemães fugitivos da 2° Guerra Mundial. Também nem fome nem sede, nem a esperança de uma vida melhor, como esperaram os imigrantes alemães que vieram para o Brasil. Abraão ouve a voz de Deus. Ele confia na promessa de que Deus dará um novo lugar que havia de receber por herança. Ele não sabia para onde ia. Não sabia quanto tempo a viagem ia levar. Mas pela fé ele saiu, chegou e habitou na terra da promessa. Anos e anos de espera passam até, finalmente, nascer também o filho da promessa. Abraão não se desanimou, mas confiou na palavra de Deus. Sua confiança e sua fidelidade o tornam o “Pai da fé”. Que exemplo bonito, mas também estranho para os nossos ouvidos no início do século 21.

O pastor e doutor de teologia, o alemão Ernst Lange, contou certa vez uma história de dois meninos de 5 ou 6 anos, que brincaram num velho muro da cidade. Eles subiram e começaram a caminhar em cima dele. Foi divertido pular de cima de pequenas aberturas no muro. No final, eles chegam num ponto onde o muro terminava. De repente, uma parte atrás cai e os dois ficam presos em cima daquela coluna frouxa, vários metros acima do chão. “Socorro!”, eles começam a gritar. Um homem chega e diz: “pula, eu vou te pegar!” É muito risco, precisa mesmo de coragem. Por isto, um menino se senta e começa a chorar. Ele não quer pular, prefere esperar os bombeiros chegarem. Mas o outro pula, sem hesitar.

Por quê? Porque um dos meninos tem coragem de pular e o outro não? A resposta é fácil, conta o Ernst Lange: o menino pula, pois aquele homem que está esperando lá em baixo, com os braços abertos, é o seu pai. O outro não consegue pular, pois o homem simplesmente não é o seu pai.

Foi isso o que fez com que o Abraão se tornasse o “pai da fé”. O conhecimento que não vai pular no nada, mas nos braços de Deus. Só isso. “A fé é a certeza de que se cumprirá o que Deus prometeu. É a firme convicção de que o mundo invisível de Deus é uma realidade, mesmo que não o possamos ver.”

A fé transforma a nossa visão. Ela muda as prioridades em nossa vida. Ela faz com que sigamos a palavra de Deus e nos concede experiências extraordinárias. No final do cap. 11 ouvimos de mais exemplos de pessoas corajosas e convencidas do AT: “E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas, Os quais pela fé venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões, Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição; E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados.”

O que faz a diferença em nossas vidas como cristãos hoje? No Brasil ou na Alemanha? Vivemos também de uma confiança profunda em Deus? Não seria bom se alguém, olhando o álbum da família de Deus, dissesse de nós: “Olha, este é fulano. Ele é uma pessoa que realmente confia em Deus. E fulana sempre disse que foi a fé que lhe deu coragem e força para mudar as coisas em sua vida. Na vida deles tem algo especial.” Amém.

E a paz de Cristo que ninguém consegue entender, guardará as nossas mentes para a vida eterna.

P. Joachim Wörner

 

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