Que
a graça do Senhor Jesus, o amor de Deus
Pai e a presença do Espírito Santo estejam
com todos nós. Amém!
Queridos
irmãos e irmãs em Nüremberg e aqui
em Brasília,
o
texto bíblico deste domingo encontra-se
na carta aos Hebreus 11.8-10.
Hoje
comemoramos o domingo da parceria e estamos
reunidos em pensamentos e espírito aos nossos
irmãos na Alemanha. Não é uma coisa maravilhosa?
Pensando que além da distância podemos nos
reunir para orar juntos, cantar juntos e
louvar a Deus, cada um na sua língua. Esta
parceria ganhou nova vida e novo significado
com a visita de um grupo de pessoas desta
comunidade à comunidade de Nürnberg
no ano passado. Por isto, vale muito a pena
lembrarmo-nos desta viagem e o que aconteceu.
Já no ano passado, tivemos um encontro dos
integrantes do grupo para ver todas as fotos
que foram tiradas lá. Eu achei interessante
ver fotos da igreja St. Johannis, a casa
pastoral e o jardim de infância (ainda não
havia visto antes). Mais impressionante
ainda achei quando Gerlinda ou Eva começaram
a explicar quem são as pessoas nas fotos:
“olha, aqui é a Renate Scheunemann, que
nos visitou em 2005; esta mulher é a Frau
Babel, este homem é o Seu Herr Weiss, e
aquela atrás a Lore Muller, a responsável
pelo jardim de infância. De repente todos
começaram a contar das experiências que
tiveram: o culto em conjunto, a visita ao
jardim de infância, os passeios que
fizeram pela cidade e muito mais. Claro
que falamos ainda sobre outras viagens:
para os lugares onde Lutero atuou, para
grandes cidades como Munique, Berlim ou
Lübeck. Uns contaram de passeios até a França
ou Áustria.
Após
2 horas e meia de viagem pelo passado, num
ambiente agradável e divertido, o nosso
presidente Ricardo disse cheio de saudades:
“esta viagem foi boa demais!” “E esta noite
também”, acrescentou o Dânton. “Foi
bem melhor do que assistir televisão.” E
Elke disse: “Agora tenho uma impressão bem
simpática da comunidade St. Johannis.” E
todos concordaram. – Demos uma olhada no
álbum de fotos da viagem para Alemanha.
Esta foi e sempre será uma experiência tocante...
O
nosso texto bíblico nos concede também uma
olhada num álbum de fotos: no álbum da família
de Deus. Lá, no cap. 11 da carta aos Hebreus,
encontramos pessoas que são exemplos da
fé. Pessoas como Jacó ou Moisés,
que pela fé tiveram experiências extraordinárias.
Profetas como Samuel ou Daniel, que pela
fé se tornaram pessoas corajosas e perseverantes.
Infelizmente,
não temos fotos deles. Mas em nossa fantasia,
na imaginação devemos ter imagens deles:
de Enoque, que foi trasladado para não ver
a morte, ou de Abel que, pela fé, ofereceu
a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo
qual alcançou testemunho de que era justo,
ou Noé que, divinamente avisado das coisas
que ainda não se viam, temeu e, para salvação
da sua família, preparou a arca, pela qual
condenou o mundo, e foi feito herdeiro da
justiça que é segundo a fé, ou Isaque, que
foi abençoado por Deus e assim abençoou
os filhos seus. Pela fé, Moisés, sendo já
adulto, recusou ser chamado filho da filha
de Faraó. Ele escolheu antes ser maltratado
com o povo de Deus, do que por um pouco
de tempo ter o gozo do pecado. Pela fé,
Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos,
acolhendo em paz os espias. Assim o povo
de Israel conseguiu conquistar Jericó.
– Pessoas que confiaram em Deus. Pessoas
que até hoje são exemplos da fé. Todos eles
são importantes, pois todos têm algo em
comum: sua vida foi marcada pela fé em Deus.
Mas
o que é fé? O 1° versículo do cap. 11 diz:
“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas
que se esperam, e a prova das coisas que
se não vêem. Porque por ela os antigos alcançaram
testemunho. Pela fé entendemos que os mundos
pela palavra de Deus foram criados; de maneira
que aquilo que se vê não foi feito do que
é aparente.”
Mais
uma olhada no álbum da família de Deus nos
mostra mais uma personalidade: Abraão, o
grande patriarca. Na linha das imagens da
fé, ele é uma das pessoas mais importantes.
Ele é o homem que tem que tomar uma decisão
difícil: “vai, sai da sua casa. uE vou fazer
de ti uma grande nação. Eu vou te abençoar,
e em ti serão abençoados todos os povos
da terra.” Ouvindo essas promessas, Abraão
se levanta e vai.
Abraão
e Sara deixam a sua vida e tudo que era
conhecido. O motivo não era uma catástrofe,
nenhum sofrimento ou tribulação, como no
caso dos alemães fugitivos da 2° Guerra
Mundial. Também nem fome nem sede, nem a
esperança de uma vida melhor, como esperaram
os imigrantes alemães que vieram para o
Brasil. Abraão ouve a voz de Deus. Ele confia
na promessa de que Deus dará um novo lugar
que havia de receber por herança. Ele não
sabia para onde ia. Não sabia quanto tempo
a viagem ia levar. Mas pela fé ele saiu,
chegou e habitou na terra da promessa. Anos
e anos de espera passam até, finalmente,
nascer também o filho da promessa. Abraão
não se desanimou, mas confiou na palavra
de Deus. Sua confiança e sua fidelidade
o tornam o “Pai da fé”. Que exemplo bonito,
mas também estranho para os nossos ouvidos
no início do século 21.
O
pastor e doutor de teologia, o alemão Ernst
Lange, contou certa vez uma história de
dois meninos de 5 ou 6 anos, que brincaram
num velho muro da cidade. Eles subiram e
começaram a caminhar em cima dele. Foi divertido
pular de cima de pequenas aberturas no muro.
No final, eles chegam num ponto onde o muro
terminava. De repente, uma parte atrás cai
e os dois ficam presos em cima daquela coluna
frouxa, vários metros acima do chão. “Socorro!”,
eles começam a gritar. Um homem chega e
diz: “pula, eu vou te pegar!” É muito risco,
precisa mesmo de coragem. Por isto, um menino
se senta e começa a chorar. Ele não quer
pular, prefere esperar os bombeiros chegarem.
Mas o outro pula, sem hesitar.
Por
quê? Porque um dos meninos tem coragem
de pular e o outro não? A resposta é fácil,
conta o Ernst Lange: o menino pula, pois
aquele homem que está esperando lá em baixo,
com os braços abertos, é o seu pai. O outro
não consegue pular, pois o homem simplesmente
não é o seu pai.
Foi
isso o que
fez com que o Abraão se tornasse o “pai
da fé”. O conhecimento que não vai pular
no nada, mas nos braços de Deus. Só isso.
“A fé é a certeza de que se cumprirá o que
Deus prometeu. É a firme convicção de que
o mundo invisível de Deus é uma realidade,
mesmo que não o possamos ver.”
A
fé transforma a nossa visão. Ela muda as
prioridades em nossa vida. Ela faz com que
sigamos a palavra de Deus e nos concede
experiências extraordinárias. No final do
cap. 11 ouvimos de mais exemplos de pessoas
corajosas e convencidas do AT: “E que mais
direi? Faltar-me-ia o tempo contando de
Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de
Jefté, e de Davi, e de Samuel e dos profetas,
Os quais pela fé venceram reinos, praticaram
a justiça, alcançaram promessas, fecharam
as bocas dos leões, Apagaram a força do
fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza
tiraram forças, na batalha se esforçaram,
puseram em fuga os exércitos dos estranhos.
As mulheres receberam pela ressurreição
os seus mortos; uns foram torturados, não
aceitando o seu livramento, para alcançarem
uma melhor ressurreição; E outros experimentaram
escárnios e açoites, e até cadeias e prisões.
Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos
ao fio da espada; andaram vestidos de peles
de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos
e maltratados.”
O
que faz a diferença em nossas vidas como
cristãos hoje? No Brasil ou na Alemanha?
Vivemos também de uma confiança profunda
em Deus? Não seria bom se alguém, olhando
o álbum da família de Deus, dissesse de
nós: “Olha, este é fulano. Ele é uma pessoa
que realmente confia em Deus. E fulana sempre
disse que foi a fé que lhe deu coragem e
força para mudar as coisas em sua vida.
Na vida deles tem algo especial.” Amém.
E
a paz de Cristo que ninguém consegue entender,
guardará as nossas mentes para a vida eterna.
P.
Joachim Wörner