Leitura de Lucas 13.22-30
Querida Comunidade! O texto bíblico nos convida
a refletir sobre a “salvação”. É um tema comum
em todas as religiões. Muitas pessoas seguem
determinada religião pensando unicamente na
salvação. Ou, quem sabe, por terem medo da
condenação, do juízo. Mas, afinal o que é
a salvação? Do que estamos falando quando
pronunciamos a palavra “salvação”. Há dois
significados...
Primeiro,
um pequeno fato de nosso cotidiano: Quando
enfrentamos o perigo, como por exemplo, no
trânsito. O nosso carro vai bater e a gente
grita: Ai, meu Deus! Naquele momento “salvação”
significa não bater o carro, evitar o desastre,
viver, continuar vivendo… É algo prá já!
Segundo,
por outro lado, quando Jesus estava pendurando
na cruz, disse ao seu companheiro de morte:
Ainda hoje estarás comigo no paraíso. Jesus
prometeu para esse sujeito, que havia se arrependido
dos seus pecados, a “salvação” eterna. Para
tal, a salvação seria vida após a morte.
Para aquele que escapou do desastre, a salvação
seria continuar vivendo essa vida.
Voltando ao nosso texto.
Com sua resposta nos VV. 24ss a que Jesus
refere: Salvação para esta vida. Ou, para
o depois desta vida?
Reparem
novamente no ponto de partida: Alguém perguntou:
'Senhor! São poucos os que vão ser salvos?'
A pessoa aparentemente estava preocupada apenas
com a salvação eterna.
Tal pergunta foi e continua sendo uma pergunta
importante para muitas pessoas. Até mesmo
Martim Lutero, o Reformador, se confrontou
com ela. Mesmo depois de ter sido ordenado
padre, ele questionava como poderia conseguir
o amor e o perdão de Deus, como poderia conseguir
a salvação. Por muitos séculos, as pessoas
acreditavam que fugindo do mundo poderiam
conseguir a salvação. Jejuar e orar sem parar.
Viver no monastério. Também Lutero chegou
a pensar assim.
No
entanto, aconteceu uma grande reviravolta
na vida de Lutero. Aconteceu enquanto ele
estudava as cartas pastorais de Paulo. Ele
descobriu que Deus nos dá o perdão dos pecados
e a salvação de graça, sem que nós os mereçamos
e sem que nós possamos fazer algo para conquistá-los.
Conforme Romanos 1.17: "O justo viverá
por fé." Assim sendo, salvação não é
uma conquista, antes é a graça de Deus. Não
adianta se esconder num convento. Não adianta
fugir dos problemas do mundo para conseguir
a salvação.
Por
tal descoberta, Lutero entrou em choque com
a venda da salvação, as chamadas cartas de
indulgências, que eram negociadas pela igreja
da época e que prometiam o perdão de todos
os pecados e, conseqüentemente, salvação eterna.
Inclusive, com a compra deste documento que
a igreja da época vendia, poderia se assegurar
a salvação não somente própria, mas também
para os parentes falecidos. Lutero, ao descobrir
que a salvação é somente graça de Deus, ao
entender que a recebemos pela fé, afirmou
categoricamente que... Se pela fé temos a
certeza da salvação, então não precisamos
mais comprá-la, também não precisamos fazer
promessas e boas obras para consegui-la. Justamente
porque a salvação já nos está garantida, pela
fé que temos em Cristo, nosso salvador, podemos
dedicar todo nosso tempo, todo nosso esforço
para viver a nossa fé no dia a dia. Em outras
palavras... Se pela fé temos garantida a salvação
eterna, podemos engajar-nos pela salvação
dos outros. Ou, ao menos, colocar sinais de
salvação neste mundo.
Então,
Jesus, ao ser questionado pelo companheiro
de viagem sobre a salvação, orienta todas
as pessoas a entrarem pela “porta estreita”.
O caminho da salvação não é fácil. É compromisso.
A certeza advinda da fé na salvação futura
jamais pode desviar a nossa atenção da salvação
do mundo presente. Vale um pequeno comentário.
Algumas pessoas cristãs tendem a afirmar que
a salvação do mundo presente não interessa.
Vale a pena somente aquilo que vem depois.
A certeza da salvação não nos dá o direito
de esquecermos as maldades desse mundo, procurando
a transformação.
Reparem
nas palavras finais de Jesus antes de ascender
aos céus. Ele enviou seus discípulos ao mundo:
'Ide e pregai'! Ou seja, ao falarmos de salvação
não podemos fixar nossos olhos unicamente
no futuro. Podemos e devemos olhar ao presente.
Há muitos que clamam por salvação. Paulo,
escrevendo aos Romanos, chega a dizer que...
'Toda a criação de Deus clama e geme por salvação'.
Como comunidade cristã precisamos perguntar.
Estamos preocupados unicamente com a nossa
salvação futura… A salvação do mundo, ou melhor
dizendo, o cuidado por aquilo que nos envolve
não interessa? Cuidado! Jesus disse: Não adianta
dizer... Nós comemos e bebemos contigo! Isso
lembra a Ceia. Não adianta dizer... Sempre
participei da igreja... Orei... Li a Bíblia...
Isso lembra piedade. Se tudo isso não me leva
a uma mudança de vida... Uma nova postura
frente à criação de Deus. Dizer que crê em
Deus, isto todos dizem. A nossa confissão
precisa necessariamente coincidir com a nossa
prática.
Agradeço a Deus pela comunidade
que me escolheu para servir como pastor. Quero
caminhar junto à IECLB em
Brasília. Neste sentido, em conjunto, clamemos
a Deus para que, a partir do Espírito Santo,
Ele nos oriente para que no dia-a-dia sejamos
seus instrumentos, capazes de levar sinais
de salvação a todos os cantos do mundo, principalmente
aqui em
Brasília. Ajuda-nos, Senhor. Amém!
Brasília/DF, 02 de setembro
de 2007.
P. Euclécio
Schieck