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Pregação do Culto de Instalação do P. Euclécio Schieck - dia 02 de setembro de 2007

Leitura de Lucas 13.22-30

Querida Comunidade! O texto bíblico nos convida a refletir sobre a “salvação”. É um tema comum em todas as religiões. Muitas pessoas seguem determinada religião pensando unicamente na salvação. Ou, quem sabe, por terem medo da condenação, do juízo.  Mas, afinal o que é a salvação? Do que estamos falando quando pronunciamos a palavra “salvação”. Há dois significados...

Primeiro, um pequeno fato de nosso cotidiano: Quando enfrentamos o perigo, como por exemplo, no trânsito. O nosso carro vai bater e a gente grita: Ai, meu Deus! Naquele momento “salvação” significa não bater o carro, evitar o desastre, viver, continuar vivendo… É algo prá já!

Segundo, por outro lado, quando Jesus estava pendurando na cruz, disse ao seu companheiro de morte: Ainda hoje estarás comigo no paraíso. Jesus prometeu para esse sujeito, que havia se arrependido dos seus pecados, a “salvação” eterna. Para tal,  a salvação seria vida após a morte. Para aquele que escapou do desastre, a salvação seria continuar vivendo essa vida.

Voltando ao nosso texto. Com sua resposta nos VV. 24ss a que Jesus refere: Salvação para esta vida. Ou, para o depois desta vida?

Reparem novamente no ponto de partida: Alguém perguntou: 'Senhor! São poucos os que vão ser salvos?' A pessoa aparentemente estava preocupada apenas com a salvação eterna.

Tal pergunta foi e continua sendo uma pergunta importante para muitas pessoas. Até mesmo Martim Lutero, o Reformador, se confrontou com ela. Mesmo depois de ter sido ordenado padre, ele questionava como poderia conseguir o amor e o perdão de Deus, como poderia conseguir a salvação.  Por muitos séculos, as pessoas acreditavam que fugindo do mundo poderiam conseguir a salvação. Jejuar e orar sem parar. Viver no monastério. Também Lutero chegou a pensar assim.

No entanto, aconteceu uma grande reviravolta na vida de Lutero. Aconteceu enquanto ele estudava as cartas pastorais de Paulo. Ele descobriu que Deus nos dá o perdão dos pecados e a salvação de graça, sem que nós os mereçamos e sem que nós possamos fazer algo para conquistá-los. Conforme Romanos 1.17: "O justo viverá por fé."  Assim sendo, salvação não é uma conquista, antes é a graça de Deus. Não adianta se esconder num convento. Não adianta fugir dos problemas do mundo para conseguir a salvação.

Por tal descoberta, Lutero entrou em choque com a venda da salvação, as chamadas cartas de indulgências, que eram negociadas pela igreja da época e que prometiam o perdão de todos os pecados e, conseqüentemente, salvação eterna. Inclusive, com a compra deste documento que a igreja da época vendia, poderia se assegurar a salvação não somente própria, mas também para os parentes falecidos.  Lutero, ao descobrir que a salvação é somente graça de Deus, ao entender que a recebemos pela fé, afirmou categoricamente que... Se pela fé temos a certeza da salvação, então não precisamos mais comprá-la, também não precisamos fazer promessas e boas obras para consegui-la. Justamente porque a salvação já nos está garantida, pela fé que temos em Cristo, nosso salvador, podemos dedicar todo nosso tempo, todo nosso esforço para viver a nossa fé no dia a dia. Em outras palavras... Se pela fé temos garantida a salvação eterna, podemos engajar-nos pela salvação dos outros. Ou, ao menos, colocar sinais de salvação neste mundo.    

Então, Jesus, ao ser questionado pelo companheiro de viagem sobre a salvação, orienta todas as pessoas a entrarem pela “porta estreita”. O caminho da salvação não é fácil. É compromisso. A certeza advinda da fé na salvação futura jamais pode desviar a nossa atenção da salvação do mundo presente. Vale um pequeno comentário. Algumas pessoas cristãs tendem a afirmar que a salvação do mundo presente não interessa. Vale a pena somente aquilo que vem depois. A certeza da salvação não nos dá o direito de esquecermos as maldades desse mundo, procurando a transformação.

Reparem nas palavras finais de Jesus antes de ascender aos céus. Ele enviou seus discípulos ao mundo: 'Ide e pregai'! Ou seja, ao falarmos de salvação não podemos fixar nossos olhos unicamente no futuro. Podemos e devemos olhar ao presente. Há muitos que clamam por salvação. Paulo, escrevendo aos Romanos, chega a dizer que... 'Toda a criação de Deus clama e geme por salvação'. Como comunidade cristã precisamos perguntar. Estamos preocupados unicamente com a nossa salvação futura… A salvação do mundo, ou melhor dizendo, o cuidado por aquilo que nos envolve não interessa? Cuidado! Jesus disse: Não adianta dizer... Nós comemos e bebemos contigo! Isso lembra a Ceia. Não adianta dizer... Sempre participei da igreja... Orei... Li a Bíblia... Isso lembra piedade. Se tudo isso não me leva a uma mudança de vida... Uma nova postura frente à criação de Deus. Dizer que crê em Deus, isto todos dizem. A nossa confissão precisa necessariamente coincidir com a nossa prática. 

Agradeço a Deus pela comunidade que me escolheu para servir como pastor. Quero caminhar junto à IECLB em Brasília. Neste sentido, em conjunto, clamemos a Deus para que, a partir do Espírito Santo, Ele nos oriente para que no dia-a-dia sejamos seus instrumentos, capazes de levar sinais de salvação a todos os cantos do mundo, principalmente aqui em Brasília.  Ajuda-nos, Senhor. Amém!

Brasília/DF, 02 de setembro de 2007.

P. Euclécio Schieck

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