JESUS
& O MAR

Bom dia! Eu e
minha esposa nos conhecemos através do Coral
em Campo Alegre, cidade onde morávamos.
Decidimos também, com nossa mudança, que continuaríamos
cantando no Coral aqui em
Brasília. Logo que cheguei , nosso regente
Wander, me desafiou a elaborar um culto que
abordasse a temática do “Mar” em vista de
que o grupo preparava um hino com esse tema
e havia, também, uma poesia ensaiada pela
amiga Miriam. Ouviremos a poesia e o hino
após a pregação.
Existem muitas
histórias de Jesus em torno do mar. Não vou
me deter em nenhuma especificamente, porém
vou citar algumas delas. Escolhi como título
dessa pregação: Jesus e o Mar.
Inicialmente,
precisamos levar em conta que o MAR, segundo
Gênesis (1.9), faz parte da boa criação de
Deus. Aliás, Deus controla, usa e se manifesta
através do mar, segundo sua santa vontade.
Percebemos isso, por exemplo, na travessia
do povo pelo Mar Vermelho e na história de
Jonas, relembrada há pouco, entre muitas outras.
A Bíblia cita
diversos mares além do Vermelho, o Mediterrâneo,
onde ocorreu o incidente com Jonas, o Mar
da Galiléia, que tanto aparece nos Evangelhos
(também chamado de Quinerete no AT, Genesaré
e Tiberíades) e o Mar Morto. Aliás, na verdade,
o Mar da Galiléia é um lago de água doce,
cruzado pelo Rio Jordão, que deságua por fim
no Mar Morto, o qual está 385 metros abaixo do nível dos oceanos. As águas
do Mar Morto são tão salgadas que não permitem
vida, nem dentro, nem às suas margens. Não
existem peixes, nem aves, nem plantas. Alguns
anos atrás, eu ouvi uma lição interesse a
esse respeito. Dizia assim: O Mar da Galiléia
tem e traz vida. O Mar Morto não permite vida.
Por quê? O Rio Jordão atravessa o Mar da Galiléia
e termina no Mar Morto. Ou seja, enquanto
me permito receber e repassar as águas abençoadas,
como o Mar da Galiléia, eu tenho vida como
pessoa. Quando sou egoísta, não repartindo
aquilo que recebo, como o Mar Morto, morro.
Tal fato me lembra a pregação que fiz no Culto
de Ação de Graças, onde era dito que o dízimo,
o dinheiro que recebo e que oferto a Deus,
promove vida em mim e no mundo.
Agora, ao falar
de Jesus, falamos especificamente do Mar da
Galiléia. Vamos às curiosidades. Esse mar
tem 21 quilômetros de extensão por 11 de largura.
Mais ou menos o tamanho das asas do Plano
Piloto. Ao seu redor existiam inúmeras pequenas
cidades, entre elas: Cafarnaum e Betsaida,
as quais vivam da indústria da pesca. Os peixes
defumados da região abasteciam boa parte do
Império Romano. Provavelmente tais peixes
foram usados, por exemplo, no milagre da multiplicação
dos peixes e pães. Os moradores da região,
em sua maioria, tinham suas vidas relacionadas
à pesca. Os pescadores, homens de físico avantajado
e linguagem rústica tinham uma vida cansativa
e perigosa. A pesca sempre era profissão e
nunca lazer. Era a maneira de sustentar a
família. Os barcos eram movidos a remo ou
vela. A pescaria era feita através do anzol
(Mt 17.22), arpão (Jó 41.7), rede (Mt 13.47)
ou tarafa (Mt 4.18). Com exceção do arrastão,
feito de dia, normalmente a lida do pescador
era noturna. A profissão exigia também trabalho
em equipe.
Quem sabe, cooperação,
coragem, determinação e força foram virtudes
que Jesus viu como necessárias ao escolher
sete de seus doze discípulos, os quais eram
pescadores: Pedro, André, Filipe, Tiago, João,
Tomé e Natanael.
Mas, afinal porque
ocorre esse encontro de Jesus com o mar? Porque
ele desce até Cafarnaum para escolher seus
discípulos? Porque relacionar o Reino de Deus
com o ato de “lançar as redes” (Mt 13.47 e
4.19)? Porque Jesus diz diretamente para Pedro,
indiretamente para nós: Vocês são “pescadores
de gente”?
Jesus nasceu na
pequena Belém (760 metros acima do nível do mar). Fui crucificado
em Jerusalém (785m), sobre o Monte do Calvário.
Após sua ressurreição foi elevado aos céus.
Vem de Deus, volta para Deus. Ele foi criado
em Nazaré, na Galiléia (350m), altitude intermediária.
Todavia, passou quase todo seu ministério
na altura do mar, em torno do Mar da Galiléia.
Jesus é Deus que desce. Sua missão é estar
junto ao ser humano. Engana-se aquele que
pensa que através da sua espiritualidade e/ou
sua religião alcançará a Deus. É a velha história
de Babel. Deus se revela nas coisas humildes
desse mundo. Nasce nos cafundós, numa estrebaria,
num cocho, numa família pobre. Vive no meio
do povo. Fala e mostra o que é o amor, aos
doentes e rejeitados. Ele vem ao encontro
da humanidade.
Aí é que podemos
entender a relação de Jesus, o Filho de Deus,
com Pedro, o pescador. Existem duas histórias
marcantes. A primeira, que está em Mt 8.23-27.
Era uma viagem de um lado ao outro do Mar
da Galiléia. No meio do caminho uma grande
tempestade. Jesus está dormindo tranquilamente.
Os discípulos se debatem para salvar o barco
e suas vidas. Fazem de tudo, por conta própria,
até o momento que não dá mais. Pensam: Não
tem jeito. Vamos morrer! Daí pedem socorro
para Jesus: Salva-nos, Senhor! Jesus os chama
de tímidos, homens de pequena fé. Ele se levantou
e repreendeu os ventos e o mar. Veio a bonança.
Os discípulos se questionam: Quem é esse que
tem poder sobre a natureza? O que podemos
aprender desse fato? Antes ouvimos que o barco
pode ser a igreja. Pode ser também minha família,
minha vida. As tempestades da vida chegam.
As ondas e o vento nos atingem. Desesperados,
por falta de fé, clareza espiritual, achamos
que é o fim. A mudança de atitude acontece
quando recorremos a Jesus. Ajuda-me, Senhor!
Quando Ele toma conta, o milagre, a calmaria
acontece.
Outra história
clássica está em Mt 14.22-33. Os discípulos
atravessam o Mar da Galiléia. Jesus vem atrás,
caminhado sobre as águas. Ao se aproximar,
eles suspeitam que Jesus fosse um “fantasma”.
Jesus se identifica. Pedro quer se encontrar
com Jesus sobre as águas. Jesus o chama. Pedro
vem, com os olhos fixos no mestre, mas quando
repara no vento e nas ondas, começa a submergir.
Ele grita, então, pedindo socorro. O que aprendemos
aqui? O desvio da palavra de Jesus traz morte.
Todavia, Jesus sempre está de mão estendida,
pronto para salvar.
Mas, como pode?
Os discípulos em sua lida diária, com certeza,
já haviam enfrentado muitos temporais e se
livrado. Porque justo naquela noite precisariam
da ajuda do montanhês chamado Jesus. Pedro,
é óbvio, não sabia caminhar sobre as águas,
mas como pescador, com certeza, sabia boiar
e nadar muito bem. Poderia voltar tranqüilo
ao barco. Mas, o medo e o desespero lhe causariam
a destruição, caso Jesus não estivesse presente
estendendo sua mão.
Agora, quantas
e quantas vezes, você já disse ou pensou:
Eu me viro. Eu dou conta da minha vida. Não
preciso de religião, de igreja, de Jesus?
Tem gente que vê sua família, seu emprego,
sua vida afundar e não pede ajuda para Jesus.
Tem gente que, dia a dia, vai afundando, por
causa da desobediência e não se dá por vencido,
estendendo sua mão para pegar a de Jesus.
Finalizo a pregação.
Jesus é Deus que desce ao mundo para se revelar
e salvar. Ele está aí pronto para ajudar.
A vida nos traz muita turbulência. As decisões
erradas, a desobediência leva ao desastre,
mas a mão do Mestre está estendida em direção
às dificuldades para que haja quietude. Está
estendida em nossa direção para que haja salvação.
Não fique com vergonha, diga: Preciso de ti,
Jesus! Amém.
Euclécio Schieck
Brasília DF, 07 de outubro de 2007.