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Pregação do Culto do dia 07 de outubro


JESUS & O MAR

Bom dia! Eu e minha esposa nos conhecemos através do Coral em Campo Alegre, cidade onde morávamos. Decidimos também, com nossa mudança, que continuaríamos cantando no Coral aqui em Brasília. Logo que cheguei , nosso regente Wander, me desafiou a elaborar um culto que abordasse a temática do “Mar” em vista de que o grupo preparava um hino com esse tema e havia, também, uma poesia ensaiada pela amiga Miriam. Ouviremos a poesia e o hino após a pregação.

Existem muitas histórias de Jesus em torno do mar. Não vou me deter em nenhuma especificamente, porém vou citar algumas delas. Escolhi como título dessa pregação: Jesus e o Mar.

Inicialmente, precisamos levar em conta que o MAR, segundo Gênesis (1.9), faz parte da boa criação de Deus.  Aliás, Deus controla, usa e se manifesta através do mar, segundo sua santa vontade. Percebemos isso, por exemplo, na travessia do povo pelo Mar Vermelho e na história de Jonas, relembrada há pouco, entre muitas outras.

A Bíblia cita diversos mares além do Vermelho, o Mediterrâneo, onde ocorreu o incidente com Jonas, o Mar da Galiléia, que tanto aparece nos Evangelhos (também chamado de Quinerete no AT, Genesaré e Tiberíades) e o Mar Morto.  Aliás, na verdade, o Mar da Galiléia é um lago de água doce, cruzado pelo Rio Jordão, que deságua por fim no Mar Morto, o qual está 385 metros abaixo do nível dos oceanos. As águas do Mar Morto são tão salgadas que não permitem vida, nem dentro, nem às suas margens. Não existem peixes, nem aves, nem plantas. Alguns anos atrás, eu ouvi uma lição interesse a esse respeito. Dizia assim: O Mar da Galiléia tem e traz vida. O Mar Morto não permite vida. Por quê? O Rio Jordão atravessa o Mar da Galiléia e termina no Mar Morto. Ou seja, enquanto me permito receber e repassar as águas abençoadas, como o Mar da Galiléia, eu tenho vida como pessoa. Quando sou egoísta, não repartindo aquilo que recebo, como o Mar Morto, morro. Tal fato me lembra a pregação que fiz no Culto de Ação de Graças, onde era dito que o dízimo, o dinheiro que recebo e que oferto a Deus, promove vida em mim e no mundo.

Agora, ao falar de Jesus, falamos especificamente do Mar da Galiléia. Vamos às curiosidades. Esse mar tem 21 quilômetros de extensão por 11 de largura. Mais ou menos o tamanho das asas do Plano Piloto. Ao seu redor existiam inúmeras pequenas cidades, entre elas: Cafarnaum e Betsaida, as quais vivam da indústria da pesca. Os peixes defumados da região abasteciam boa parte do Império Romano. Provavelmente tais peixes foram usados, por exemplo, no milagre da multiplicação dos peixes e pães. Os moradores da região, em sua maioria, tinham suas vidas relacionadas à pesca. Os pescadores, homens de físico avantajado e linguagem rústica tinham uma vida cansativa e perigosa. A pesca sempre era profissão e nunca lazer. Era a maneira de sustentar a família. Os barcos eram movidos a remo ou vela. A pescaria era feita através do anzol (Mt 17.22), arpão (Jó 41.7), rede (Mt 13.47) ou tarafa (Mt 4.18). Com exceção do arrastão, feito de dia, normalmente a lida do pescador era noturna. A profissão exigia também trabalho em equipe.

Quem sabe, cooperação, coragem, determinação e força foram virtudes que Jesus viu como necessárias ao escolher sete de seus doze discípulos, os quais eram pescadores: Pedro, André, Filipe, Tiago, João, Tomé e Natanael.

Mas, afinal porque ocorre esse encontro de Jesus com o mar? Porque ele desce até Cafarnaum para escolher seus discípulos? Porque relacionar o Reino de Deus com o ato de “lançar as redes” (Mt 13.47 e 4.19)? Porque Jesus diz diretamente para Pedro, indiretamente para nós: Vocês são “pescadores de gente”?

Jesus nasceu na pequena Belém (760 metros acima do nível do mar). Fui crucificado em Jerusalém (785m), sobre o Monte do Calvário. Após sua ressurreição foi elevado aos céus. Vem de Deus, volta para Deus. Ele foi criado em Nazaré, na Galiléia (350m), altitude intermediária. Todavia, passou quase todo seu ministério na altura do mar, em torno do Mar da Galiléia. Jesus é Deus que desce. Sua missão é estar junto ao ser humano. Engana-se aquele que pensa que através da sua espiritualidade e/ou sua religião alcançará a Deus. É a velha história de Babel. Deus se revela nas coisas humildes desse mundo. Nasce nos cafundós, numa estrebaria, num cocho, numa família pobre. Vive no meio do povo. Fala e mostra o que é o amor, aos doentes e rejeitados. Ele vem ao encontro da humanidade.

Aí é que podemos entender a relação de Jesus, o Filho de Deus, com Pedro, o pescador.  Existem duas histórias marcantes. A primeira, que está em Mt 8.23-27. Era uma viagem de um lado ao outro do Mar da Galiléia. No meio do caminho uma grande tempestade. Jesus está dormindo tranquilamente. Os discípulos se debatem para salvar o barco e suas vidas. Fazem de tudo, por conta própria, até o momento que não dá mais. Pensam: Não tem jeito. Vamos morrer! Daí pedem socorro para Jesus: Salva-nos, Senhor! Jesus os chama de tímidos, homens de pequena fé. Ele se levantou e repreendeu os ventos e o mar. Veio a bonança. Os discípulos se questionam: Quem é esse que tem poder sobre a natureza? O que podemos aprender desse fato? Antes ouvimos que o barco pode ser a igreja. Pode ser também minha família, minha vida. As tempestades da vida chegam. As ondas e o vento nos atingem. Desesperados, por falta de fé, clareza espiritual, achamos que é o fim. A mudança de atitude acontece quando recorremos a Jesus. Ajuda-me, Senhor! Quando Ele toma conta, o milagre, a calmaria acontece.

Outra história clássica está em Mt 14.22-33. Os discípulos atravessam o Mar da Galiléia. Jesus vem atrás, caminhado sobre as águas. Ao se aproximar, eles suspeitam que Jesus fosse um “fantasma”. Jesus se identifica. Pedro quer se encontrar com Jesus sobre as águas. Jesus o chama. Pedro vem, com os olhos fixos no mestre, mas quando repara no vento e nas ondas, começa a submergir. Ele grita, então, pedindo socorro. O que aprendemos aqui? O desvio da palavra de Jesus traz morte. Todavia, Jesus sempre está de mão estendida, pronto para salvar.

Mas, como pode? Os discípulos em sua lida diária, com certeza, já haviam enfrentado muitos temporais e se livrado. Porque justo naquela noite precisariam da ajuda do montanhês chamado Jesus. Pedro, é óbvio, não sabia caminhar sobre as águas, mas como pescador, com certeza, sabia boiar e nadar muito bem. Poderia voltar tranqüilo ao barco. Mas, o medo e o desespero lhe causariam a destruição, caso Jesus não estivesse presente estendendo sua mão.

Agora, quantas e quantas vezes, você já disse ou pensou: Eu me viro. Eu dou conta da minha vida. Não preciso de religião, de igreja, de Jesus? Tem gente que vê sua família, seu emprego, sua vida afundar e não pede ajuda para Jesus. Tem gente que, dia a dia, vai afundando, por causa da desobediência e não se dá por vencido, estendendo sua mão para pegar a de Jesus.

Finalizo a pregação. Jesus é Deus que desce ao mundo para se revelar e salvar. Ele está aí pronto para ajudar. A vida nos traz muita turbulência. As decisões erradas, a desobediência leva ao desastre, mas a mão do Mestre está estendida em direção às dificuldades para que haja quietude. Está estendida em nossa direção para que haja salvação. Não fique com vergonha, diga: Preciso de ti, Jesus! Amém.

Euclécio Schieck

Brasília DF, 07 de outubro de 2007.

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