Brasília, 25 de dezembro de 2007.
Ele era um homem
bem sucedido naquela aldeia da Finlândia.
Ele, alfaiate, sustentava com seu trabalho
a esposa e os filhos, até o dia em que uma
grande epidemia matou todos os seus amores.
Ficou só e por essa razão deixou de trabalhar.
Dentro em breve ninguém mais o reconhecia
andando pelas ruas, maltrapilho e triste.
Era um homem amargurado.
Embora os cânticos do Natal se fizessem ouvir
em todas as esquinas, ele continuava mergulhado
em sua tristeza. De repente se viu defronte
a uma grande vitrine, cheia de brinquedos.
Um garoto pobre olhava com desesperança e
desilusão as coisas bonitas e vistosas. O
homem pareceu ouvir em sua intimidade o que
pensava o garoto: Eu nunca saberei o que é
ter brinquedos tão bonitos assim.
O antigo alfaiate
começou a chorar, pela primeira vez em muito
tempo, não por si mesmo, mas pelo menino.
Pensou em quantas crianças como aquela existiriam
em sua aldeia. Pobres que não teriam nenhum
brinquedo naquele Natal.
Sem pensar por
onde andava, ele foi seguindo por caminhos
desconhecidos. Então, se viu diante de um
barraco onde as pessoas da aldeia jogavam
lixo e bugigangas. Coisas que não queriam
mais. Entrou, sem bem saber por quê. Mas,
parecia que alguém lhe comandava os gestos.
E agora, lhe dizia, bem dentro do seu coração:
Veja! Procure entre as bugigangas o que possa
ser consertado. Leve para casa e conserte.
Pinte. Presenteie. Faça uma criança feliz.
Ele começou a remexer os entulhos. Havia bonecas,
carrinhos, e maravilha! Encontrou até um caixote
de ferramentas. Estavam enferrujadas, mas
ele as lixou, afiou e ficaram como novas.
Numa das divisões do caixote encontrou um
jogo de agulhas de costura e linhas de muitas
cores. Ele se pôs a trabalhar.
Nos dias seguintes,
recolheu brinquedos quebrados por toda parte.
Discretamente, perguntou e se informou onde
morava cada criança carente da cidade. Trabalhou
arduamente até altas horas da noite. Até os
seus olhos doerem, sua visão ficar embaçada
e ele adormecer na cadeira.
Ao despontar o
dia, acordava e continuava o seu trabalho
de amor. Na noite de Natal ele saiu com vários
embrulhos e foi andando, deixando em cada
porta das casas das crianças da sua lista,
um brinquedo. Uma boneca, um carrinho, um
cavalo de pau. A noite estava fria e ventava
muito. Várias vezes ele foi e voltou, até
distribuir todos os sete grandes sacos que
conseguira recolher e arrumar. Quando o dia
despertou, os sorrisos se multiplicaram nas
casas pobres, ante a surpresa e o encanto
com os brinquedos.
P. Euclécio
Schieck