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Pregação do Culto do dia 28 de outubro de 2007 em Alphaville

Alphaville, 28 de outubro de 2007.

A OBEDIÊNCIA E A GENEROSIDADE DE CHICÃO

Há muitos e muitos anos, certo homem conhecido como Chicão vivia na rua. Ele não tinha casa, nem família. Para dizer a verdade, só tinha a roupa do corpo. Chicão não tinha sorte. Era tão pobre que mal tinha o que comer e era tão magrinho quanto um graveto. Por isso é que as pessoas mexiam com ele para que cuidasse com o vento, pois esse podia carregá-lo. Todo dia, porém, Chicão ia à igreja pedir a Deus para melhorar sua vida. Mas, nada acontecia.

Até que um dia no altar, ele ouviu uma voz sussurrar: A primeira coisa que você tocar quando sair da igreja lhe trará grande fortuna. Chicão levou um susto. Esfregou os olhos, olhou em volta, mas viu que estava bem acordado e a igreja estava vazia. Mesmo assim, saiu pensando: Eu sonhei ou foi Deus que falou comigo? Na dúvida, foi em direção à porta da igreja, ao encontro da mudança de sua sorte. Mas, na pressa, Chicão tropeçou nos degraus e foi rolando todo desengonçado até o final da escada, onde caiu com o nariz na terra. Ao se pôr de pé, ajeitou seus trapos. Percebeu, então, que tinha alguma coisa na mão. Era um fio de crina. Bom, pensou ele, um cabelo não vale nada, mas, se a Deus quis que eu pegasse, é melhor guardar. E, lá foi ele, segurando o fio com firmeza.

Pouco depois apareceu uma borboleta em volta de sua cabeça. Tentou espantá-la, mas não adiantou. A borboleta, porém, batia suas asas loucamente ao redor da sua cabeça. Muito bem, pensou ele, se não quer ir embora, fique comigo. Apanhou a borboleta e amarrou o fio no corpo dela. Ficou parecendo uma pequena pipa.

Continuou descendo a rua com a borboleta amarrada. Logo encontrou uma florista com o filhinho. Estavam numa pequena banca no caminho do mercado. Ali passavam o dia vendendo flores. Vinham de muito longe. O menino parecia cansado e aborrecido. Quando o menino viu a borboleta amarrada no fio, seu rosto se animou. Mãe, me dá uma borboleta? Bom, pensou Chicão, Deus me disse que essa crina mudaria minha vida. Esse garoto pode ficar feliz com um esse pequeno presente. E, deu o inseto ao garoto. É muita bondade, disse a florista. Não tenho nada para lhe dar em troca além de uma rosa. Aceita?

Chicão pegou e agradeceu, continuando seu caminho, levando consigo a rosa. Andou mais um pouco e viu um jovem sentado num toco de árvore, segurando a cabeça entre as mãos. Parecia tão infeliz que Chicão lhe perguntou o que havia acontecido. Quero pedir minha namorada em casamento hoje à noite, queixou-se o rapaz, mas sou tão pobre que não tenho nada para lhe dar. Bom, também sou pobre, disse Chicão. Não tenho nada de valor, mas se quiser lhe presentear essa rosa, é sua. O rosto do rapaz se abriu num sorriso ao ver aquela bela flor. Então, meteu a mão na bolsa, retirando dali três laranjas. Por favor, disse o jovem, fique com elas. É só o que posso dar em troca.

Chicão pegou as frutas e seguiu andando. Logo encontrou um vendedor ambulante puxando uma carrocinha. Você pode me ajudar? Disse o vendedor, ofegante. Estou puxando a carrocinha o dia inteiro. Estou com tanta sede que acho que vou desmaiar. Preciso de um gole de água. Desse lado da cidade não tem nem um poço, disse Chicão, mas se quiser pode chupar essas três laranjas. O vendedor ficou tão grato que pegou um pequeno rolo de tecido num tom muito bonito de amarelo que havia na carroça e deu-o para Chicão, dizendo: Você é muito bondoso. Por favor, aceite esse tecido em troca.

Chicão mais uma vez seguiu pela rua, com o rolo de tecido debaixo do braço. Não deu dez passos e viu passar uma Mercedes. A moça, sentada, ao lado do motorista, tinha um olhar preocupado, mas sua expressão mudou ao ver Chicão. Onde arrumou esse tecido?  - questionou a moça. É justamente o que estou procurando. Hoje é aniversário de meu pai e quero dar uma camisa especial para ele. Ele gosta muito de amarelo. Nesse tom, ele não tem nenhuma.  Bom, já que é aniversário dele, tenho prazer em lhe dar a peça, disse Chicão. A moça mal podia acreditar em tamanha oportunidade. Você é muito generoso, disse sorrindo. Por favor, aceite esse anel em troca.

A Mercedes se afastou, deixando Chicão segurando um anel refulgindo à luz do sol. Muito bem, pensou ele: Comecei com um fio de crina que não valia nada e agora tenho uma jóia. A palavra do Senhor é verdadeira. Ele não mente, o que afirma, cumpre.  Levou, então, a jóia ao ourives, vendeu-a e, com o dinheiro, comprou uma pequena sapataria, onde poderia praticar aquilo que na juventude havia aprendido com o pai. Trabalhou muito, sempre com generosidade. A cada ano a freguesia aumentava mais e mais.

Em pouco tempo, Chicão ficou rico. Tinha uma fábrica de sandálias. Mas, a riqueza não o modificou. Sempre ajudava a todos que o procuravam. Diziam seus amigos e fregueses que sua sorte tinha começado com um fio de crina, mas, na verdade, o que mudou sua vida foi a obediência a Deus e a generosidade. Por isso, lembre-se sempre das palavras de Jesus, citadas no livro de At 20.35: “Mais bem-aventurado é dar do que receber”.

P. Euclécio Schieck

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