Pregação 24/12/2012 РVéspera de Natal РIsaías 11.1-9

CECLB
P. Daniel Conte

Leituras indicadas:

Lucas 2.1-20 ‚Äď O nascimento de Jesus e a visita dos pastores

G√°latas 4.4-7 ‚Äď Deus envia o seu Filho no tempo determinado para que possamos nos tornar seus filhos. E enviou tamb√©m o seu Esp√≠rito como prova e sinal desta ado√ß√£o. Somos filhos e tamb√©m herdeiros de Deus.

Isa√≠as 11.1-9 ‚Äst Vir√° um descendente do Rei Davi. O Esp√≠rito do Senhor estar√° com ele. Ele far√° a vontade do Senhor. Julgar√° com justi√ßa e n√£o pela apar√™ncia. Defender√° os pobres. Com as palavras da sua boca ele corrigir√° e afastar√° todo erro e engano. Seu governo ser√° com justi√ßa e honestidade. E sob esse governo as inimizades ser√£o vencidas, substitu√≠das por comunh√£o.

Prezada Comunidade,

As leituras indicadas para nossa reflex√£o nesta noite de v√©spera de Natal nos convidam a olhar para as mudan√ßas que a vinda do Filho de Deus representam para n√≥s, seres humanos. No relato do nascimento de Jesus, a vida dos humildes pastores √© alterada e preenchida de j√ļbilo por testemunharem fatos t√£o extraordin√°rios. Em G√°latas 4, Paulo se refere √†s mudan√ßas que a vinda de Cristo significam em termos de ado√ß√£o: Deus envia o seu Filho no tempo determinado para que possamos nos tornar seus filhos. E enviou tamb√©m o seu Esp√≠rito como prova e sinal desta ado√ß√£o. Somos filhos e tamb√©m herdeiros de Deus. Em Isa√≠as 11, o profeta tamb√©m faz clara refer√™ncia a transforma√ß√Ķes que a vinda do Messias ocasiona: Vir√° um descendente do Rei Davi. O Esp√≠rito do Senhor estar√° com ele. Ele far√° a vontade do Senhor. Julgar√° com justi√ßa e n√£o pela apar√™ncia. Defender√° os pobres. Com as palavras da sua boca ele corrigir√° e afastar√° todo erro e engano. Seu governo ser√° com justi√ßa e honestidade. E sob esse governo as inimizades ser√£o vencidas, substitu√≠das por comunh√£o. Tal comunh√£o √© expressa em termos um tanto inusitados: Lobos e ovelhas vivem em paz, leopardos e cabritinhos descansam juntos, le√Ķes e bezerros comer√£o uns com os outros.

Todos os textos encerram algo de miraculoso. E assim é que deve ser mesmo. A vinda de Cristo ao mundo quer e vai provocar o milagre entre nós seres humanos. O milagre da fé, o milagre da salvação, o milagre da justiça, o milagre da comunhão.

Milagres, at√© mesmo por defini√ß√£o, n√£o s√£o coisas pertinentes aos seres humanos. N√≥s n√£o fazemos milagres. Quem faz milagres √© Deus. Os seres humanos, pouco ou nada podem fazer. Bem disse Jesus: ‚Äúsem mim, nada podeis fazer‚ÄĚ (Jo 15. 5). Quando os disc√≠pulos de Jesus perceberam a dificuldade para alcan√ßar a salva√ß√£o, perguntaram: quem √© que pode se salvar? Ao que Jesus respondeu: ‚ÄúPara os seres humanos isso n√£o √© poss√≠vel, mas para Deus, tudo √© poss√≠vel.‚ÄĚ

A partir das imagens que os textos nos trazem hoje, me vem a pergunta: como ser√° poss√≠vel alcan√ßar tal n√≠vel de pacifica√ß√£o em que ¬†‚ÄúLobos e ovelhas vivem em paz, leopardos e cabritinhos descansam juntos, le√Ķes e bezerros comer√£o uns com os outros.‚ÄĚ? Mais: como ser√° poss√≠vel alcan√ßar n√≠vel de pacifica√ß√£o que seres humanos ‚Äď sempre ¬†t√£o prontos para a guerra entre si e t√£o demorados para apaziguar ‚Äď possam sentar-se juntos para celebrar comunh√£o? Isto s√≥ √© poss√≠vel quando o Senhor Jesus governa nossas vidas. Quando n√≥s deixamos de lado nossa teimosia em querer governar a n√≥s mesmos e fazer as coisas do nosso jeito. Quando nos abrimos para a possibilidade de fazer diferente, sob a inspira√ß√£o daquele que veio para todos, para morrer por todos, e salvar a todos. Quando tais coisas acontecem, tamb√©m o milagre de Deus se revela em nossas vidas.

[História de Fritz Vinckens - publicada pela Neue Revue No.52 de 20/12/2001. Tradução: Martin Weingaertner]

O Milagre da véspera de Natal

24 de dezembro de 1944 foi um dia lindo. O c√©u sem nuvens pertencia ao sol e aos avi√Ķes aliados que rumavam
com sua carga de bombas para a Alemanha. Era muito frio. Com a escuridão veio o silêncio e no céu cintilavam
novamente as estrelas sobre nossa clareira coberta de neve. Eu estava sentado com minha m√£e numa cabana isolada
na floresta. Meu pai tinha nos escondido aqui. “At√© que a guerra acabar”, disse ele que lutava na Frente Ocidental. E as
linhas inimigas chegavam sempre mais perto da nossa cabana. Eu já podia ouvi-las. Tínhamos suficiente estoque de
batatas, trigo, massas e flocos de aveia. Preocup√°vamo-nos apenas com o galo que encontrei em uma de minhas
andanças pelo o vale. Ele engordara e cantava sempre mais alto. Será que trairia nosso esconderijo?
Na véspera de Natal mãe o silenciou. Eu estava sentado na penumbra, a mãe colocava lenha no fogão no qual
cozinhava a sopa com nosso galo. De repente, alguém bateu na porta. Apressadamente apagamos a vela. Em seguida,
bateram de novo. Fomos abrir. Diante de nós estavam dois soldados americanos semicongelados, um terceiro jazia
ferido na neve. Eles estavam armados. Seus olhos imploravam para poder entrar. “Entrem”, disse minha m√£e. Os
americanos acomodaram o seu companheiro ferido sobre o meu colch√£o de palha. Eles n√£o falavam alem√£o, mas um
falava francês. Assim, ele podia comunicar-se com minha mãe. Os Ianques provavelmente pensavam que fossemos
belgas.
O moço corpulento chamava-se Jim, o outro mais magro, Ralph e Harry, o ferido que repousava agora na minha
cama. Eles eram retardat√°rios, tinham perdido sua unidade e, por dias, andaram errantes na floresta das Ardenas
(situadas entre a Bélgica e a Alemanha). Sem as armas e os casacos grossos, pareciam meninos crescidos. Minha mãe
tamb√©m os tratou como tais. Ela p√īs mais seis batatas com casca na sopa. Descasc√°-las, naquela √©poca, era
desperdício.
Eu estava pondo a mesa, quando mais alguém bateu na porta. Mais americanos, pensei, e fui abrir. Sim, eram
soldados, quatro homens e todos fortemente armados. Mas, depois de cinco anos de guerra, seu uniforme me era
familiar. Eram soldados da Wehrmacht; eram nossos soldados. Chocado eu fiquei paralisado. Mesmo com doze anos eu
sabia: Quem ajuda o inimigo, perde sua vida.
Eu n√£o podia ver o rosto da minha m√£e, mas sua voz era calma: “Mas os senhores est√£o trazendo um frio
danado! Querem comer com a gente?” Os soldados nos saudaram com simpatia e estavam felizes para encontrar
alem√£es nesta fronteira entre as linhas de batalha. “Podemos aquecer-nos um pouco?” perguntou o superior do pelot√£o,
um ¬†sargento. Ele provavelmente pensava no caldo de galinha cujo o cheiro sa√≠a pela porta. “Naturalmente,” respondeu
minha m√£e, “mas pelo amor de Deus n√£o fa√ßam nenhum alvoro√ßo. J√° h√° tr√™s semi-congelados aqui, que n√£o
representam perigo.” O ¬†sargento imediatamente compreendeu o que se passava. Seus olhar ficou s√©rio. M√£e foi
severa, “Escutem aqui, voc√™s poderiam ser meus filhos, bem como os est√£o l√° dentro! Um deles levou um tiro na perna,
os outros estão cansados e famintos como você. Hoje é véspera de Natal e aqui ninguém vai atirar! Deponham suas
armas e entrem, do contr√°rio os outros v√£o comer tudo.”
“Fa√ßam o que ela disse”, ordenou o sargento.
O perigo n√£o tinha passado despercebido aos americanos l√° dentro qus j√° estavam prontos para defender-se.
Mas minha m√£e imediatamente os desarmou, ordenando: “Agora vamos comer!” Americanos e ¬†alem√£es sentados ao
redor de uma mesa. Era apertado e todo mundo estava meio perplexo. Como comportar-se em tal situação, seus
instrutores n√£o lhes haviam ensinado. Mam√£e cortou mais algumas batatas na sopa. Um dos alem√£es p√īs seus √≥culos
e inclinou-se sobre a ferida do ianque. “Felizmente, n√£o est√° inflamado. Ele s√≥ precisa de descanso e alimento
nutritivo”, disse ele. O sargento pegou p√£o e vinho da sua mochila. Em cima da mesa estava a panela de sopa
fumegante. Todos os olhos voltavam-se para minha mãe. Demo-nos as mãos e ela fez uma oração que concluiu,
dizendo: “E, por favor, acabem com esta guerra.” Ao comer, eu vi l√°grimas nos olhos dos soldados. Mas agora eles j√°
não eram guerreiros, agora eles eram filhos. Depois da sopa, fizemos um forte Nescafé americano e saboreamos um
pudim de abacaxi em pequenas latas de conserva que Jim tinha tirado do seu casaco. Depois trocaram cigarros,
“Eckstein” por “Chesterfield”.
“Fumemos l√° fora”, disse o soldado alem√£o preocupado com o Harry ferido. Diante da cabana o frio era de
rachar. M√£e desafiou-nos a olhar para a estrela mais brilhante: “Este √© S√≠rio, a nossa Estrela de Bel√©m. Anuncia paz.”
Da escurid√£o da noite ouvia-se os estrondos abafados da artilharia. Depois fomos dormir.
De manh√£ os alem√£es e americanos fizeram uma maca para o Harry. O sargento mostrou Jim e Ralph em um
mapa o caminho para as linhas americanas. Uma b√ļssola alem√£ mudou de m√£os. Na despedida, todos se abra√ßaram e
prometeram: “Vamos rever-nos, quando estiver tudo acabado.” Ent√£o eles partiram, cada um em sua guerra.
Mãe e eu acenamos até que eles desapareceram na floresta. Sabíamos que tínhamos experimentado um
milagre. Um milagre de Natal.

A celebra√ß√£o do Natal traz consigo esta inspira√ß√£o: do abandono das guerras dentro do cora√ß√£o, do abandono da teimosia e obstina√ß√£o, do abrir-se para nossas possibilidades em que reina o amor, a aceita√ß√£o m√ļtua, a fraternidade acima das diferen√ßas, em que reina a comunh√£o. A celebra√ß√£o do Natal traz consigo a inspira√ß√£o no sentido de que almejemos mudan√ßas para melhor em nossas vidas, em nossas fam√≠lias, em nossa igreja, nossa sociedade, nosso mundo. N√≥s oramos por isto, expressamos a todos nossos votos neste mesmo sentido.

‚Äú√ď Deus, d√°-nos ver, em nossas vidas, os teus milagres acontecerem. Come√ßa, √≥ Deus, em meu pr√≥prio cora√ß√£o. Que em mim reine a tua paz e a tua vontade. E que a tua paz e o querer fazer a tua vontade contagie a todos. Am√©m.‚ÄĚ

Também é oportuna letra do hino:

/: A come√ßar em mim, quebra cora√ß√Ķes,

pra que sejamos todos um, como Tu és em nós : /

Onde h√° frieza que haja amor

Onde há ódio o perdão

Para que teu povo cresça assim, rumo à perfeição.

A começar em mim - Autoria:Vencedores por Cristo

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