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Pregação do Primeiro Domingo de Advento


Brasília, 02 de dezembro de 2007.

Nessa semana, conversando com um jovem de nossa comunidade, ele me disse: Olha, pastor, uma boa parcela de minha família não comemora o Natal, pois julgam tratar-se de uma festa idólatra: árvore, Papai Noel, presentes/ofertas... O mesmo acontece também na Páscoa.

Lembrei-me, com tristeza, do Hilário, que saiu da comunidade Martim Lutero em Panambi, porque simplesmente não concordava que na festinha de Natal do Culto Infantil entrasse o Papai Noel trazendo os presentes para a molecada. A questão foi debatida em Presbitério, posta em votação, como é bom costume na IECLB, onde foi decidida a permanência do velhinho, sendo que não afetava a sã doutrina luterana.

Agora, na verdade, tudo depende de como tratamos as tradições do mundo em relação ao Evangelho. Por exemplo, existem aqueles que aproveitam o Carnaval para se esbaldar na folia, rompendo todo e qualquer limite. Todavia, há aqueles que aproveitam o feriado para se retirarem e refletirem sobre sua relação com Deus. Teremos em 2008 a oportunidade desse encontro em Formosa.

Voltando ao tema do culto, a Coroa de Advento tem a sua origem numa tradição pagã européia. Ou seja, vem de antes do cristianismo. No inverno, se acendiam algumas velas que apontavam ao "fogo do deus sol" com a esperança de que a luz e o seu calor voltassem após o inverno. Lembrando sempre, que no Hemisfério Norte, agora é inverno. Os primeiros missionários cristãos entre os povos bárbaros aproveitaram essa tradição antiga para evangelizar. Eles partiam dos costumes tradicionais do povo para ensinar-lhes a fé cristã. Ainda hoje, muitos missionários cristãos entre povos indígenas atuam com a mesma metodologia. Assim, a coroa de advento, costume antiqüíssimo, traz ainda hoje uma grande quantia de símbolos que apontam às verdades bíblicas e à fé cristã. Vejam, por exemplo...

A FORMA - O círculo não tem princípio, nem fim. É sinal do amor de Deus que é eterno, sem princípio e nem fim. Conseqüentemente, refere-se também ao nosso amor para com Deus e o amor ao próximo que nunca deve terminar. Além disso, o círculo dá uma idéia de "elo", de união entre Deus e as pessoas, uma grande "aliança". Ao realizarmos um culto de bênção matrimonial também lembramos essa grande verdade. Deus se compromete com o casal. Eles comprometem-se entre si. No Advento lembramos o comprometimento de Deus com seu povo. E, o povo de Deus, unido como corrente, atuando pelo amor nesse mundo.

RAMOS – O verde é a cor da esperança e da vida. Eu pude experimentar essa verdade chegando ao DF em agosto no auge da seca, vendo tudo brotar com as primeiras chuvas. Tudo era tão seco, sem graça, mas ganhou vida, nova vida. Tal fato lembra o tradicional hino: Chuvas de bênçãos teremos: É a promessa de Deus! Deus quer que esperemos a sua graça, o seu perdão misericordioso e a glória da vida eterna no final de nossa jornada aqui nesse mundo. Muitas bênçãos foram derramadas pelo Senhor Jesus, em sua primeira vinda. Agora, com esperança renovada, aguardamos a consumação na sua segunda e definitiva volta. Ou seja, como filho/a de Deus, experimento de seu amor, vivo debaixo de suas promessas e irradio o mesmo amor e esperança no meio onde vivo. Advento é a oportunidade para falar de paz em meio à violência, de satisfação real em meio ao consumismo, de vida com sentido em meio à desilusão dos prazeres momentâneos.

VELAS - As quatro velas da coroa simbolizam os quatro domingos de Advento. No início, a coroa está sem luz e sem brilho. Isso recorda a experiência da escuridão do pecado. Na medida em que se vai aproximando o Natal, vamos, ao passo das semanas do Advento, acendendo uma a uma as quatro velas representando assim a chegada, em nosso meio do Senhor Jesus, luz do mundo, que dissipa toda escuridão, trazendo aos nossos corações a reconciliação tão esperada. As pessoas perguntam: Há esperança? Há uma luz no fim do túnel? Podemos, com força e alegria, afirmar: Jesus é a luz do mundo! Ao mundo que jazia em trevas, resplandeceu-lhes a luz...

Nos domingos de Advento é costume que as famílias e as comunidades se reúnam em torno da coroa para prestar culto a Deus, não à coroa, não a um deus qualquer e pagão. A sugestão é que se faça, então, mesmo em casa, uma liturgia muito simples. Todos se colocam em volta da coroa. Acende-se a vela que corresponde à semana em questão, acompanhando, se possível, de um canto. É feita a leitura de uma passagem da Bíblia, própria do tempo do Advento com uma breve reflexão, que pode ser tirada do Castelo Forte. É um desafio que trago para você e sua família.

Aliás, aproveito e faço outras pequenas sugestões...

a) Recomendo fazer a coroa de Advento em família, aproveitando a ocasião para ensinar às crianças o sentido e o significado de tal símbolo de Natal.

b) A coroa deverá estar em um lugar privilegiado da casa, de preferência onde seja facilmente visível a todos, recordando assim a vinda cada vez mais próxima do Senhor Jesus e a importância de se preparar bem para este momento.

c) É conveniente fixar um horário para se fazer a meditação de Advento de maneira tal que seja uma ocasião familiar e ordenada, com a participação consciente de todos.

d) Recomendo repartir as funções de cada membro da família durante a meditação. Um pode ser o que acende a vela, outro o que lê a passagem bíblica, outro que faz uma oração, outro que faz algum comentário... Em fim, a idéia é que todos possam participar e que seja uma ocasião de encontro familiar.

Por fim, mesmo sendo um costume muito antigo, de origem pagã, a coroa de Advento pode oportunizar a manifestação do Evangelho, pode apontar para a vinda daquele que fez, faz e fará diferença na vida de cada pessoa. Pode oportunizar um encontro familiar em meio à correria de véspera de Natal, revelando o que de fato tem valor... Tem Papai Noel? Tem, mas o principal é o menino Jesus. Tem presentes? Tem, mas primeiro lembramos o grande presente dado por Deus à humanidade: Seu único Filho, Jesus. Amém!

P. Euclécio Schieck

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